
3. A Oliveira (I)
A Oliveira é uma árvore de porte médio muito resistente e com raízes que podem atingir os seis metros, sendo conhecidas cerca de 400 espécies .De crescimento lento, nas condições mais favoráveis dá frutos a partir do quinto ano, mas só se desenvolve completamente aos 20 anos. O seu período de maturidade e plena produção, ocorre entre os 35 e 150 anos. A partir daqui, envelhece e o seu rendimento torna-se irregular, embora consiga viver mais tempo. Conhecem-se espécimes com 2000 anos.
A sua cultura ter-se-á iniciado na Ásia Menor ( território actualmente ocupado pela Turquia) há cerca de 6000 anos.Históricamente salta-se para o ano 3000 a.C. e constata-se que a oliveira era já cultivada por todo o ” Crescente Fértil ” ( actual Médio Oriente). Foi levada pelos Fenícios para as ilhas gregas e terão sido os Gregos a difundir esta cultura pela bacia Mediterranica. Em Portugal, os vestigios da sua presença datam da idade do Bronze, mas só nos séculos XV e XVI o seu cultivo se generaliza a todo o país. A oliveira e o azeite estão presente em inúmeros mitos e lendas, especialmente das eras Egipcia, Grega e Romana. Ao longo de todo esse período, foram surgindo lendas em torno da origem da oliveira e das virtudes do seu fruto e do azeite.
A importância do azeite advém das multiplas utilizações que lhe foram dadas ao longo dos tempos, que ultrapassam em muito o seu papel alimentar dos dias de hoje. O azeite foi um produto básico na medicina tradicional, na higiene e beleza.
Utilizava-se como combustivel para a iluminação, como lubrificante para as ferramentas e alfaias agrícolas, como impermeabilizante para as fibras têxteis e foi ainda um elemento essencial em ritos religiosos. Até à chegada à Europa das lamparinas a gás, no século XIX, eram as lamparinas de azeite que nos garantiam a iluminação.
Mas já os atletas da Antiga Grécia, se massajavam regularmente com azeite nos ginásios e arenas, para manter a flexibilidade muscular. No campo da beleza e higiene, o azeite é usado desde a Antiguidade na forma de banhos, massagens, máscaras de beleza e de champôs. Os romanos eram grandes apreciadores das unções com azeite, considerando-as verdadeiros banhos de juventude.
No tempo dos descobrimentos, o azeite era um dos ” medicamentos” obrigatórios a bordo das naus.
Desde tempos remotos que o azeite está intimamente ligado ao homen português, curando as suas feridas, untando as suas rezas e benzeduras e colorindo os refrões das sua cantigas.
Da importância do azeite é bem testemunha a sua sacralização. A primeira colheita era oferecida aos deuses e com ele era feita a unção dos reis.
Esta foi uma breve história do Azeite, que espero apreciem. Numa próxima oportunidade, falar-vos-ei das suas caracteristicas e das suas virtudes em áreas tão distintas como a saúde e na cozinha, entre outras.
Bem hajam e até à próxima.